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Hello!
Estamos na semana do Dia Internacional da Mulher, então, eu e minhas amigas (Mania de Bolly, Deewaneando e Cine Challo) resolvemos fazer a 2ª edição de uma semana que fizemos em 2012, e foi muito produtiva. Assim como em 2012, queremos apresentar filme que apresentem a você a figura da mulher não só na sociedade, mas também no cinema, e a partir dessa ideia falar sobre filmes que abordem a perspectiva feminina com protagonismo nos filme. Em discussão, nós comentávamos a dificuldade que tivemos, em 2012, pra escolher um filme em que a mulher fosse a protagonista do filme, e que encontrávamos com muita frequência mulheres desempenhando fortes papéis em diversos filmes, mas nunca no protagonismo.
E cá estamos em 2016, com um cenário de mudança bem radical, até, pros moldes de Bollywood e até mesmo da Índia. E nessa 2ª edição percebemos que a nossa dificuldade não estava em encontrar um filme com mulheres no protagonismo, mas sim a dificuldade de escolhermos apenas um ou dois para discutir, o que demonstra o tanto que Bollywood floresceu nos últimos 4 anos. E para essa semana linda, eu escolhi Qissa: The Tale of a Lonely Ghost. A escolha que fiz por Qissa, foi um tanto sentimental, afinal as emoções tendem a guiar nossos julgamentos, por mais racional que tentemos ser. Qissa foi o primeiro filme que legendei, então aqui mora toda a questão sentimental.
E cá estamos em 2016, com um cenário de mudança bem radical, até, pros moldes de Bollywood e até mesmo da Índia. E nessa 2ª edição percebemos que a nossa dificuldade não estava em encontrar um filme com mulheres no protagonismo, mas sim a dificuldade de escolhermos apenas um ou dois para discutir, o que demonstra o tanto que Bollywood floresceu nos últimos 4 anos. E para essa semana linda, eu escolhi Qissa: The Tale of a Lonely Ghost. A escolha que fiz por Qissa, foi um tanto sentimental, afinal as emoções tendem a guiar nossos julgamentos, por mais racional que tentemos ser. Qissa foi o primeiro filme que legendei, então aqui mora toda a questão sentimental.
Sinopse:
Umber Singh (Irrfan Khan) é um sikh que perde tudo durante a separação da Índia em 1947 e é forçado a deixar sua terra natal. Ele obsessivamente deseja um herdeiro do sexo masculino. Quando sua quarta filha nasce, ele decide travar uma luta contra o destino. Quando Mehar (Tisca Chopra) fica grávida novamente, ele se convence de que ele vai ter um filho; Helmer Singh é louvável discreta, mas é óbvio que, apesar da alegria expansiva de Umber ao nascimento do muito aguardado herdeiro masculino Kanwar, a criança é do sexo feminino. Voar em face da biologia, Umber cria Kanwar como um filho, sua determinação, e ilusão tão completa que ele faz Mehar e suas duas filhas concordarem com a farsa.
Com: Irrfan Khan, Tisca Chopra, Tillotama Shome and Rasika Dugal.
*A partir daqui o texto pode conter spoilers*
*A partir daqui o texto pode conter spoilers*
Mehar (Tisca Chopra) |
Qissa é um drama histórico com plano de fundo o conflito sócio-cultural-político e religioso em 1947 entre Índia e Paquistão, com esse contexto temos muitas coisas para explorar, mas vamos nos ater ao foco dessa semana, que é a mulher. E para falar desse filme, eu escolhi 3 personagens que roubam cenas a todo momento, que são Mehar, Kanwar e Neeli, todas as três sob óticas diferentes de uma estrutura social e familiar. Vamos começa por Mehar, que é mãe e esposa, uma figura particularmente comum na Índia e em todos os lugares. Mehar é esposa de Umber, que está ansioso pelo nascimento de um filho que leve seu nome, no entanto é pai de três filhas, o que aumenta a frustração não apenas de Mehar, mas também de Umber. A pressão que ele coloca sob a esposa é imposta de maneira sutil, e como consequência dessa pressão, ela sucumbe ao receio a cada vez que fica grávida, de modo que o questiona diversas vezes sobre sua reação com a possibilidade de ter mais uma filha, o questiona sobre que destino teria a sua vida diante da situação em que se encontravam. Todo o conflito interior existente em Mehar, em minha opinião, é o que a faz ceder quando Umber celebra o nascimento de Kanwar, como um menino. As agruras de uma mulher que não dá ao seu marido um filho é mascarado por essa falsa ilusão de que em sua casa tem um filho homem, ao ponto de interferir minimamente na educação de Kanwar, que fica aos cuidado de seu pai.
Kanwar, desde que nasceu foi criado como um filho. No começo, essa situação foi completamente contornada por seu pai, que o guiava a cada passo. Kanwar cresceu se identificando como um homem e cresceu acreditando que era um homem. No entanto, as marcas de sua feminilidade estavam presente. Durante toda sua infância, seu pai o reprimia para que não demonstrasse o menor sinal de fraqueza, que geralmente é associado a mulher. E por isso, o seu pai o ensinou a se defender e caçar, para que assim a suposta fragilidade feminina nunca ficasse em evidência. Aos 12 anos, Kanwar teve sua primeira menstruação e seu pai não encarou como um obstáculo, mas como um amadurecimento e afirmação da sua masculinidade. E para reafirmar seu amadurecimento realiza a cerimônia do turbante, uma cerimônia que legitima a sua maioridade e a sua masculinidade. Até seus 18 anos, Kanwar não encontrou nenhum desafio até conhecer Neeli e por ela se apaixonar. Todos os conflitos que antes não tinham sido fortes o suficiente para se dá conta de sua condição, mas ao se casar com Neeli tudo mudou em sua vida. Seu pai informou a noiva que eles nunca poderiam ter relações sexuais, pois um acidente teria amputado o órgão sexual de Kanwar, de modo que a noiva, Neeli, tentou desfazer o casamento, pois não havia sido informada da situação de Kanwar.
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Kanwar (Tillotama Shome) |
Neeli (Rasika Dugal) |
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Olha que amorzinho esse casal! |
O conflito de Kanwar chama atenção pela explicitação da condição da mulher na Índia, apesar do filme se passar em um contexto de conflito no ano de 1947. As condições da mulher em diversas regiões da Índia ainda permanece as mesmas. A mudança e um movimento de emancipação feminina é perceptível nas grandes cidades indianas, o que não reflete uma imagem direta da condição da mulher das regiões interioranas das mulheres. Mas esse pequeno reflexo é um grande passo para a emancipação mais forte e contundente da mulher na sociedade indiana.
Até a próxima!
Qissa é bem pesado, hein Sara? A que ponto um pai chega para realizar uma tradição. E até onde uma mãe consegue ceder também pela tradição. Kanwar foi totalmente ignorada(o) pela mãe e de certa forma discriminada pelas irmãs. Não tem como racionalizar a forma como foi tratada, não tem como se recuperar de tamanha violência e o que resta é mesmo um fantasma, uma sombra... nem homem, nem mulher. Filme para ver e rever!
ResponderExcluirQuando ela entra em crise e começa a gritar pro espírito do pai toda a angustia dela, acredito que não teve cena mais forte e de cortar o coração do que essa. Parte dela foi consolada pela Neeli, mas essa parte também a/o abandonou no fim das contas.
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